
O caos impera na turba. O cheiro de festa inebria os transeuntes na urbis insossa, não há razão nem análise criteriosa das verborrágicas dilapidações factuais da caduca mídia brasileira. Porém, para o cidadão, não interessa o teor e sim o odor;o cheiro de festa, o cheiro de agitação sinalizada na notícia fadada, alongada pela cifra do ibope.
O espetáculo, impera nas tragédias alheias, eis o caso Isabella, um novo reality show, a novela mexicana sem pudor ou respeito á dor alheia. Fizeram de uma tragédia um show. Pessoas em dp's, aguardando o capitulo final. Não é mais o fato trágico que importa, mas sim o circo, a panis circense, que tanto agrada o povo. A cobiça por ter algo que falar, não importa a justiça ou a memória da Isabella, mas apenas o fato em si, a festa proporcionada pelo infortúnio de Isabella.
A mesa já está posta, só basta devorar o banquete de valores agregados, a simbologia apimentada pela igreja católica, temperado por Pr Rossi. A missa show, já ensaia novos popstar, novos mártires, vangloriados pela moral, da inocência equivocada, da hipocrisia que choca mais que a desventura de Isabella.
Eis ai o nosso espetáculo, a nossa sociedade do espetáculo, ciceroniados pelos donos da moral, a turba maluca em busca de pão e circo, a igreja em lágrimas reafirmando valores às desgarradas ovelhas do pastoreio comedido e atávico. Assassinaram uma criança, Isabelle. Mas a dor não pode passar, cultivam-na: a turba, a mídia, a religião. Enfim, a sociedade do espetáculo ainda não saciou-se dessa tragédia. Assim, é eivada Isabelle, em sua memória. É morta diariamente, pois o espetáculo não pode parar. MAS ISABELLE É FORTE, NEM A MORTE TE ABALA. UM IMENSO ABRAÇO GAROTINHA. E RESPEITO.

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